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Galicia espallada

Unha recolleita da cultura galega

Literatura, historia, arte, música, gastronomía, galeguismo, tradicións, lendas, costumes, emigración

Á memoria de Manuela Viaño (1929-2013)

Antón Villar Ponte 

Antón Villar Ponte 

 

Entrevista a Antón Villar Ponte publicada no Diário de Lisboa, 

o 10 de Xullo de 1933.

A GALIZA PRECISA DO APOIO DE PORTUGAL


(Do nosso correspondente particular)

MADRID, Julho - Dentro de pouco vai realizar-se o plebiscito galego, para a implantação da autonomia. Toda a Galiza vibra, num afan de propaganda, para reunir os dois terços do elitorado necessário para que nas Corte se possa apresentar o Estatuto.

Este era, pois, o momento indicado para recolhermos as impressões de Villar Ponte, a grande figura do nacionalismo galaico e o homem que mais tem trabalhado pela aproximação de Portugal e Galiza.

Villar Ponte, categorizada figura das letras e até há pouco tempo chefe da minoria parlamentar galega diz-nos:

- Precisamente agora, o meu país -poderia dizer a minha pátria natural- atravessa um momento crítico. Ou a Galiza empreende o caminho da redenção, conquistando a autonomia, ou ficará para sempre agrilhoada á desdita de ser uma colónia espanhola, como é desde o século XV.

«A República não nos tratou melhor do que a Monarquia. Com o seu advento ganhamos unicamente a possibilidade de ser autónomos, dentro da Constituição. Isto já é alguma coisa, mas mais que ao regime o devemos a Catalunha, porque foi ela que introduziu na Constituição esse princípio descentralizador»

E acrescenta, com um gesto desiludido:

- A Galiza não preocupa os espanhóis. O centralismo feroz iniciado pelos reis católicos castrou as veleidades de independência, arrancando-nos até o idioma. Submeteu-nos à tutela de estranhos. Eles vieram a realizar a «barbara doma» de que fala Zurita, como castigo à nossa rebeldia contra a aristocracia e a teocracia.

«Por isso Pardo de Cela, capitaneando as suas mesnadas e de acordo com os portugueses, procurou elevar D. Juana ao trono que usurpara Isabel-a-católica. Pardo de Cela pagou com a vida a sua temeridade e a Galiza, separada então de Portugal, passou a ser a eterna colónia desprezada e violentada por Castela. Assim principiou a apagar-se a vida própria de Galiza»

Como o nosso entrevistado é o propulsor da publicação dum dicionário galaico-português, perguntamos-lhe:

-Parece-lhe possível a unificação dos nossos idiomas? 

- O galego, respondeu-nos, foi até o século XV idêntico ao português. Os cancioneiros demonstram-no claramente. Pontevedra e Lisboa foram os dois centros mais importantes de estudos geográficos até o momento das Descobertas. A linguagem dos “Lusíadas” pelo seu léxico, é mais parecida com o galego de hoje, que não com o português moderno.

«Com razão afirmou Teófilo Braga que a Galiza era a província mais duramente submetida, que melhor conservava a sua pureza étnica, pela força da sua tradição.

- Em outubro já poderão ter a autonomia e, portanto, resolvido o problema, comentámos.

E o senhor Villar Ponte diz-nos:

- A autonomia é o princípio dum vasto trabalho de emancipação para o qual temos de contar com a compreensão da Espanha e o apoio de Portugal.

- Como?- interrogamos.

- Para levantar o nosso idioma, para que um dia chegue a unificar-se com o português, a Universidade de Santiago criou um instituto de Estudos Portugueses, que tem já publicado um notável ensaio de Fidelino de Figueiredo e uma selecção dos «Sonetos» de Antero de Quental. As Irmandades da Fala estão ultimando um vocabulário castelhano-galego, por onde se vê que não existe vocábulo nitidamente português que não seja também galego.

«Exceptuando alguns ruralismos pela nossa parte e galicismos, por parte dos portugueses, a língua é comum, se bem que a fonética e ortografia difiram algumas vezes. Agora, respondendo a sua interrogativa, direi que para conveniência de todos devia organizar-se um congresso linguístico de Portugal, Brasil e Galiza, ao qual concorressem representantes autorizados para resolver a criação dum organismo que vele pela pureza da língua e pela sua unificação. A nossa língua, que tem em todas as partes núcleos vivos, é umha espécie de soberba ponte com um pilar na América e outro na Europa, através da qual transita a cultura ibérica.

«O Brasil e o Canadá são os dois países de mais largas possibilidades económicas no futuro e, por isso o português não é umha língua ameaçada de morte, antes pelo contrário, tende a ampliar-se.

- A sua ideia, dissemos, parece-nos digna de ser recolhida pelos filólogos lusitanos, pois tudo indica as vantagens que daí podem advir.

Villar Ponte, com entusiasmo, insiste:

- O nosso idioma unificado poderia adquirir notável desenvolvimento e é bom ter presente que até onde chegue a nossa língua, chegará a nossa pátria.

A terminar perguntamos:

- A Galiza não reivindicou o direito a ser considerada como uma minoria étnica na Sociedade das Nações?

- Sim, já o conseguimos, assim como a Catalunha. Queremos recuperar a nossa personalidade, terminando com o Regime de vexame em que vivemos, esmagados por impostos, descurados dos poderes públicos.

«Agora mesmo, o tratado com o Uruguay vem arruinar o pouco que existia são em matéria económica na agricultura galega.

Numa afirmação veemente, o chefe da Orga declara:

- Mais que dum Maciá, precisamos dum De Valera, para que a Galiza possa ser um Estado livre. O arco da vontade da juventude galega está esticado, pronto a atirar a flecha num futuro mediato ou imediato. Resta que os portugueses meditem sobre os sérios problemas que apenas esboço nesta entrevista.



NOTA :  Esta entrevista a Antón Villar Ponte foi publicada no Diário de Lisboa, o 10 de Xullo de 1933, e apareceu non hai moito acompañando un artigo de E. Vázquez Sousa titulado Unha entrevista reveladora: Antón Villar Ponte, na prensa lisboeta, Xullo de 1933 reproducida  o texto orixinal, e grazas a el@s (e a E. Vázquez Sousa que rescatou a dita entrevista) a podemos incluir no noso site.


 

Fonte:  La questione della lingua